Afastamento do trabalho: o que é e como reduzir na empresa

27 | 11 | 2025

Tempo de leitura: 8 min

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No cenário corporativo atual, o tema do afastamento do trabalho assume papel estratégico para a área de Recursos Humanos. Afinal, cometer equívocos no entendimento desse tema pode gerar impactos consideráveis em produtividade, custos e clima organizacional. 

Neste artigo, abordaremos de forma prática e orientada para a ação os principais aspectos que envolvem o afastamento laboral: o que é, os tipos, os direitos dos funcionários e estratégias para reduzir ocorrências. Além disso, destacaremos como o RH pode atuar preventivamente.

O que é afastamento do trabalho?

O afastamento o trabalho – ou afastamento laboral – refere-se à interrupção temporária ou definitiva das atividades laborais do colaborador, por motivos que vão além de uma simples ausência ou folga. É quando o profissional deixa de exercer suas funções habituais por motivos de saúde, acidente, maternidade, licença especial, dentre outros, e passa por um período em que não está ativo em sua função.

Do ponto de vista legal, esse afastamento pode ocorrer sob diferentes modalidades e ensejar obrigações para o empregador e garantias para o empregado. Por exemplo, a lei brasileira prevê que em caso de acidente ou doença do trabalho, determinados direitos sejam aplicados. Consequentemente, a empresa deve estar preparada para lidar com essas situações corretamente.

Para o gestor de RH, é fundamental enxergar o afastamento não apenas como custo, mas também como indicador de saúde organizacional. Isso porque ele pode sinalizar desgaste físico ou emocional, falhas no ambiente de trabalho, perfil de liderança ou precárias condições ergonômicas.

Tipos de afastamento do trabalho

A seguir, listamos e detalhamos alguns tipos comuns de afastamento laboral, com observações úteis para a gestão de RH:

1. Afastamento por doença comum ou incapacidade temporária

Esse tipo de afastamento do trabalho ocorre quando o colaborador está temporariamente incapaz de exercer suas funções por motivo de saúde. Exemplo: gripe grave, cirurgia eletiva, recuperação hospitalar.

Aspectos relevantes: geralmente o empregador arca com os primeiros dias de afastamento; se ultrapassar 15 dias, há intervenção do INSS

Para o RH: é necessário acompanhar atestados, organizar o retorno, planejar readequações se for o caso.

2. Afastamento por acidente de trabalho ou doença ocupacional

Quando a origem do afastamento do trabalho está diretamente ligada às atividades do colaborador, ao ambiente ou às condições de trabalho. Por exemplo: acidente na empresa, lesão repetitiva de esforço, doença causada por exposição laboral, entre outros.

Além disso, conforme a legislação,  quando existe relação direta entre a atividade exercida e o adoecimento, ele passa a ser considerado “acidente de trabalho” ou “doença ocupacional”.

Direitos específicos: o empregado que sofreu acidente de trabalho tem estabilidade no emprego por 12 meses após o fim do auxílio-doença “acidentário”.

Para o RH: exige documentação adequada, comunicação ao INSS (ou CAT), planejamento de retorno, avaliação de ergonomia e prevenção para evitar recidivas.

3. Afastamento por maternidade ou adoção

A colaboradora que se afasta para exercer licença-maternidade ou adoção entra em período protegido por lei. A legislação da Lei 8.213/91 e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garante estabilidade para gestantes desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. 

Mesmo não sendo estritamente “afastamento laboral” por doença ou acidente, para fins de RH ele se encaixa no conceito de interrupção profissional.

Para o gestor de RH: é vital fazer planejamento de substituição, retorno da colaboradora, e observar os prazos de estabilidade.

4. Afastamento por licença especial ou afastamento disciplinar

Em alguns casos, o colaborador pode se afastar por motivo diverso, licença remunerada ou não (para cursos, missão, estudo), ou até suspensão temporária por acordo ou regime interno. Embora não seja o foco principal de “saúde/segurança”, esse tipo de afastamento deve constar na gestão de RH para controle de presença e impacto.

Para o RH: definir políticas claras, monitorar a efetividade e impacto do afastamento especial, garantir que a função seja coberta.

5. Afastamento por teletrabalho ou trabalho remoto por saúde ou prevenção

Em tempos recentes, ficou mais frequente o afastamento presencial com continuidade em regime remoto ou home-office, por exigência de saúde ou contingência (ex: gestantes, pessoas de risco). A Lei 14.151/2021 tratou especificamente do afastamento de gestantes das atividades presenciais durante a pandemia. Diferencia-se porque o colaborador segue ativo, mas em regime distinto. 

Para o RH: exige acordo formal, monitoramento de produtividade, apoio de ergonomia e bem-estar remoto.

6. Afastamento por motivos de saúde mental ou psicossociais

Ainda que nem sempre juridicamente destacado separadamente, muitos afastamentos de trabalho decorrem de transtornos mentais, depressão, ansiedade. Por exemplo, a lista de principais causas de afastamento no Brasil inclui episódios depressivos, transtornos ansiosos, etc. 

Para o gestor de RH: fundamental identificar sinais de alerta, oferecer suporte psicológico ou programas de bem-estar, promover cultura de cuidado.

Cada tipo requer políticas específicas de RH, acompanhamento sistemático, integração com saúde ocupacional, bem-estar e prevenção.

Quais são os direitos do funcionário em caso de afastamento do trabalho

Para o gestor de RH, conhecer os direitos do colaborador em situações de afastamento do trabalho é essencial, tanto para garantir conformidade quanto para mitigar riscos jurídicos. A seguir, alguns dos principais direitos:

Salário/Remuneração durante os primeiros 15 dias: 

Pela legislação, quando o afastamento for por doença ou acidente não laboral, o empregador é responsável pelo pagamento integral do salário nos primeiros 15 dias consecutivos. Depois disso, o INSS assume em caso de benefício

Estabilidade no emprego em casos de acidente ou doença do trabalho: 

O artigo 118 da Lei 8.213/91 garante ao empregado que sofreu acidente de trabalho ou doença ocupacional estabilidade no emprego por 12 meses após o término do auxílio-doença acidentário. 

Ou seja: ao retornar, o colaborador não pode ser demitido sem justa causa durante esse período.

Direito à reabilitação ou readaptação: 

O colaborador com sequelas de acidente ou doença relacionada ao trabalho pode ter direito à reabilitação profissional ou adaptações na função, a fim de garantir sua reintegração. Esta obrigação recai sobre o empregador e a previdência, dependendo do caso.

Proteção à gestante e mãe adotiva: 

A gestante goza de estabilidade desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. A empresa não pode demitir sem justa causa — salvo na hipótese de contrato a termo ou outra exceção prevista. 

Manutenção do emprego ou indenização em caso de demissão indevida: 

Se o empregado com direito à estabilidade for demitido sem justa causa durante o período de estabilidade, ele pode exigir reintegração ou pagamento da indenização correspondente aos salários que receberia até o final do período de estabilidade. 

Garantias de saúde, segurança e condições de trabalho: 

Quando o afastamento decorre de ambiente de trabalho inadequado, ergonomia deficiente ou inexistência de EPI, o empregador deve responder por condições causadoras — o colaborador pode ter direito a reconhecimento de doença ocupacional. Por exemplo, problemas ergonômicos que geram afastamentos são apontados como grande causa de perdas. 

Como reduzir os afastamentos do trabalho?

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Reduzir índices de afastamento no trabalho (afastamento laboral) é uma meta estratégica para gestores de RH. Além disso, essa prática está diretamente ligada à melhoria da produtividade, do clima organizacional e da sustentabilidade financeira da empresa.

A seguir, algumas práticas recomendadas:

1. Monitorar indicadores de absenteísmo e afastamentos do trabalho

Estabeleça indicadores-chave (KPIs) de absenteísmo e afastamento: número de afastamentos por tipo, duração média, custo estimado, taxa por função ou departamento. Assim, será possível analisar dados, identificar tendências e agir preventivamente.

Dica: implemente dashboards que relacionem afastamentos à área, função, causas. Isso facilita a identificação de pontos críticos.

2. Investir em saúde ocupacional e ergonomia

A ergonomia correta pode reduzir significativamente o número de afastamentos por causas músculo-esqueléticas. Por isso, investir em adequações estruturais é uma ação estratégica.

Dica: promova avaliações ergonômicas para postos de trabalho, ajuste de mobiliário e equipamentos, treinamento e pausas programadas.

3. Programas de bem-estar e saúde mental

Considerando que transtornos de ansiedade, episódios depressivos e condições músculo-esqueléticas lideram os afastamentos. 

Ações: sessões de mindfulness, acesso a psicólogo, incentivo à prática de atividade física, higiene mental, ambientes de trabalho saudáveis.

Dica: A HealthBit oferece soluções como o Programa de Saúde Mental para promover o bem-estar dos colaboradores, com foco na prevenção e apoio contínuo.

4. Política ativa de retorno ao trabalho e readaptação

Quando o colaborador retorna de um afastamento de trabalho, a transição deve ser bem conduzida: exames de retorno, readaptação funcional se necessário, acompanhamento próximo no primeiro período de reintegração. Caso contrário, aumentam os riscos de recaída e de um novo afastamento.

5. Cultura de prevenção e atenção às causas raízes

Em vez de somente reagir, o gestor de RH deve buscar entender as causas dos afastamentos: estão relacionadas ao ambiente físico, à sobrecarga de trabalho, à liderança, ao clima organizacional? Programas como o do SESI para gestão do absenteísmo demonstram que a atuação estruturada reduz custos e melhora competitividade. 

Dica: realize entrevistas de retorno, análise qualitativa dos casos, lideranças treinadas para identificar sinais de adoecimento.

6. Capacitação de gestores e líderes

Muitas vezes, o afastamento é consequência de condições relacionadas à gestão: falha de comunicação, pressões excessivas, falta de acompanhamento, conflitos. Treinar líderes para gestão de pessoas, reconhecer sinais de desgaste e agir antecipadamente é fundamental.

7. Flexibilidade e modelo híbrido, onde possível

O modelo híbrido ou home-office, quando bem implementado, pode reduzir a ausência física, melhorar qualidade de vida e gerar menor desgaste. Integrar essa possibilidade ao conjunto de medidas alinhadas à estratégia corporativa pode contribuir para menor afastamento laboral.

Compreender as causas de afastamento do trabalho é essencial

Para gestores de RH, entender o tema do afastamento no trabalho e afastamento laboral é mais do que uma questão de cumprimento legal, é ação estratégica que conecta saúde, produtividade, clima e sustentabilidade do negócio.

Ao estruturar políticas claras, monitorar indicadores, investir em ergonomia, saúde mental, retorno ao trabalho e liderança, será possível reduzir significativamente o impacto dos afastamentos, promovendo um ambiente de trabalho mais saudável e engajado. Com isso, essa estratégia promove um ambiente de trabalho mais saudável e engajado.

Checklist para redução e gestão de afastamentos do trabalho

1. Diagnóstico e Monitoramento

[ ] Mapear todos os afastamentos ocorridos nos últimos 12 meses (motivos, duração, áreas afetadas).
[ ] Classificar os tipos de afastamento: doença comum, acidente de trabalho, saúde mental, maternidade, etc.
[ ] Calcular a taxa de afastamento e o custo total do absenteísmo.
[ ] Analisar padrões: cargos, turnos ou líderes com mais afastamentos.
[ ] Criar um dashboard de indicadores (número de casos, média de dias afastados, custo médio por colaborador).

2. Conformidade Legal e Procedimentos

[ ] Garantir que todos os afastamentos sejam comunicados corretamente ao INSS (via CAT quando aplicável).
[ ] Manter registro atualizado dos atestados médicos, laudos e autorizações.
[ ] Garantir o pagamento dos 15 primeiros dias (quando devido) e acompanhar benefícios do INSS.
[ ] Treinar líderes e equipe de RH para lidar com estabilidade pós-afastamento e reabilitação.
[  ] Ter um protocolo interno documentado sobre como proceder em cada tipo de afastamento.

3. Saúde Ocupacional e Prevenção

[ ] Realizar avaliações ergonômicas periódicas nos postos de trabalho.
[ ] Garantir o uso e a manutenção dos EPIs adequados.
[ ] Promover campanhas de vacinação e prevenção de doenças.
[ ] Implementar pausas ativas e alongamentos para funções de esforço repetitivo.
[ ] Fazer acompanhamento de condições ambientais (iluminação, ruído, temperatura).

4. Saúde Mental e Bem-Estar

[ ] Oferecer apoio psicológico ou programa de assistência ao empregado (EAP).
[ ] Promover rodas de conversa, palestras e treinamentos sobre saúde emocional.
[ ] Monitorar sinais de esgotamento e burnout em equipes de alta pressão.
[ ] Estimular pausas regulares, férias respeitadas e equilíbrio vida-trabalho.
[ ] Desenvolver políticas de acolhimento e retorno gradual após afastamentos por motivos psicológicos.

5. Retorno ao Trabalho e Readaptação

[ ] Aplicar exame de retorno obrigatório.
[ ] Avaliar limitações físicas ou psicológicas para readequar função, se necessário.
[ ] Criar plano de acompanhamento pós-retorno (primeiros 30 dias).
[ ] Promover reuniões entre colaborador, gestor e RH para alinhar expectativas.
[ ] Formalizar registro da readaptação e acompanhamento contínuo.

6. Comunicação e Cultura Organizacional

[ ] Informar líderes e equipes sobre a importância da prevenção de afastamentos.
[ ] Criar campanhas internas sobre ergonomia, saúde mental e autocuidado.
[ ] Reforçar políticas de diversidade e respeito para prevenir conflitos e assédio.
[ ] Promover o reconhecimento de equipes com boas práticas de saúde e segurança.

7. Estratégia e Melhoria Contínua

[ ] Revisar trimestralmente os índices de afastamento.
[ ] Integrar dados do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) e do PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional).
[ ] Avaliar fornecedores e ergonomistas parceiros da empresa.
[ ] Atualizar políticas internas conforme novas legislações trabalhistas.
[ ] Comparar indicadores internos com benchmarks de mercado (setor, porte da empresa).

8. Recursos e Apoio Digital

[ ] Utilizar ferramentas de monitoramento de saúde corporativa (como os dashboards da HealthBit).
[ ] Automatizar registros e notificações de afastamentos.
[ ] Integrar dados de saúde, segurança e produtividade para decisões baseadas em evidências.
[ ] Gerar relatórios periódicos para diretoria com insights sobre causas e custos.

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